O simples pensamento (que de simples tem pouco, na verdade) “estou grávida” coloca tudo, todos e tanto em perspetiva. Talvez hoje já seja um pensamento mais acessível, não por falta de densidade, mas pela naturalidade com que o meu cérebro o assume atualmente. Mas algures no final de maio, este pensamento era pesado. Denso. Por vezes, sufocante.
Não me orgulho de que tenha sido desta forma. Fui bastante egoísta quando soube que estava grávida. “O que será da minha vida agora? Acabou? O que será a nossa vida a dois?” Não quero ser a pessoa que “agora nunca pode”.
Não foram pensamentos bonitos. O fatalismo, o drama e a finitude da vida apoderaram-se de mim. No entanto, pergunto: a quem, ou a quem poderiam, estes pensamentos, a serem considerados “maus”, causar danos? Talvez seja só mesmo a mim. Portanto, é a mim que devo um pedido de desculpas, mas acima de tudo deixo um abraço, de mim para mim. Tardou a chegar, mas chegou. Felizmente, houve abraços que não tardaram a chegar.

Porque é que olhamos sempre para a novidade com medo e não com curiosidade? Talvez não seja em vão que as duas — novidade e curiosidade — terminem com a idade. Será que só com a idade é que serei capaz de as pôr a andar de mãos dadas? Será que daqui a uns anos verei toda e qualquer novidade sempre com curiosidade, desde o primeiro momento?